O edital do Prêmio de Apoio a Bandas de Música 2020, divulgado nesta quarta-feira (22) de janeiro pela Funarte, causou polêmica ao citar em seu texto que bandas de rock não podem participar.

Mas a explicação é simples: o foco do edital são as bandas formadas por metais e percussão. Por conta disso, “bandas de rock” não podem participar porque os prêmios são voltados para aqueles que tocam instrumentos de sopro e percussão.

Como o texto cita o termo “banda de rock” e deixa claro que elas não podem participar, a polêmica teve início, muito por conta das manifestações do presidente da Funarte, Dante Mantovani, contra o rock, como em um vídeo publicado em seu canal do YouTube no qual afirma que o rock “leva ao aborto e satanismo”.

Confira a nota de esclarecimento publicada pela Funarte.

A Fundação Nacional de Artes – Funarte comunica que há equívoco na matéria da Coluna Lauro Jardim, do Jornal O Globo, cujo link é: https://blogs.oglobo.globo.com/lauro-jardim/post/em-edital-funarte-proibe-rock-em-concurso-de-bandas.html, já repercutida em outros veículos de imprensa.

A alegação da matéria de que “a proibição específica à bandas que tocam rock cai como uma luva para o presidente da Funarte, Dante Mantovani” não corresponde à realidade. Primeiro, porque esse edital serve à distribuição de instrumentos apenas para bandas civis “tradicionais”, e não para outros tipos de bandas. Em segundo lugar, porque a Funarte realiza o Projeto Bandas (do qual faz parte essa ação) há 44 anos, desde 2007 por edital, com os mesmos critérios atuais. A redação atual é quase igual nas três versões anteriores, 2007, 2010 (Procultura) e 2013, não sendo absolutamente uma novidade da gestão Dante Mantovani.

A redação desse item sempre visou apenas a evitar confusão com outros tipos de bandas, não somente as de rock. Estas, como outros tipos de bandas diferentes das bandas civis “tradicionais”, nunca foram incluídas nesse prêmio, como se comprova no texto do edital de 2013: “Não poderão participar deste Edital… ‘bandas de pífanos’, ‘bandas de rock’, ‘bigbands’, orquestra de sopro, bem como conjuntos musicais assemelhados, conjuntos musicais de instituições religiosas, bandas militares…”, etc., conforme comprovado na nota de 2013, cujo link é: http://www.funarte.gov.br/edital/premio-funarte-de-apoio-a-bandas-de-musica-2013/.

Além disso, “bandas de música” sempre foi considerada pela Funarte como uma linguagem musical específica, distinta das demais. As bandas tradicionais realizam, em milhares de municípios brasileiros, um trabalho de formação musical, que qualifica artistas para orquestras. Por tudo isso, a Fundação mantém há anos a Coordenação de Bandas. Portanto, a Funarte nunca teve, não tem e nunca poderá ter preconceito contra nenhum estilo musical – como se espera de uma instituição federal de Estado.

 

Fonte: 89