“A Ancine [Agência Nacional do Cinema] censurou o filme. É uma censura diferente, que usa instrumentos burocráticos para dificultar produções das quais o governo discorda. Não tenho a menor dúvida de que ‘Marighella’ não estreou ainda por uma questão política.” O desabafo é de Wagner Moura, diretor do filme que conta os cinco últimos anos de vida do escritor, político e guerrilheiro baiano Carlos Marighella – executado, em 1969, pela ditadura militar. Um dos organizadores da luta armada contra o regime, ele foi considerado seu inimigo número um. Baseado na biografia escrita pelo jornalista Mário Magalhães, o filme estreou no Festival de Berlim em fevereiro do ano passado. Previsto para ser lançado, no último dia 20 de novembro, Dia da Consciência Negra, no Brasil, ele foi adiado após a Ancine negar pedido da produtora O2, responsável pelo filme, relativo ao prazo de uma proposta visando a recursos para a distribuição da obra. Para Moura, a negativa e os entraves subsequentes tiveram motivação política. De acordo com ele, a forma que o governo escolheu para censurar produções artísticas foi “aparelhar” instituições. Quando a Ancine é aparelhada pelo bolsonarismo, qualquer pedido com relação a um filme como o Marighella será negado.

 

Fonte: Uol