O universo esportivo é historicamente dominado pelos homens. Aos poucos, porém, as atletas femininas começam a consolidar seu espaço nesse tipo de atividade. Exemplo disso é o crescimento da participação feminina em esportes olímpicos. As Olimpíadas de 2016, realizadas no Rio de Janeiro, registraram o maior número de mulheres no esporte da história. Elas somaram 45% dos participantes, uma diferença relativamente baixa na comparação com os homens.

Por outro lado, a atuação feminina na área técnica permanece tímida. Nos Jogos do Rio, 127 associados da Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva e da Atividade Física (SONAFE) trabalharam como voluntários. No grupo, apenas 25 eram do mulheres. “A área desportiva é a única da fisioterapia em que há maior participação masculina. Creio que foram anos sem referências, com a crença de que a mulher não entende de esporte”, avalia a fisioterapeuta Amanda Lima.

“Os homens tomaram a área para si – e nós nos afastamos”, explica Amanda, que atua no Centro de Treinamento do Time Brasil, ligado ao Comitê Olímpico Brasileiro (COB).

Para tentar reverter situações assim, a SONAFE aderiu em julho à campanha de solidariedade #HeForShe, que defende os direitos das mulheres e a igualdade de gênero. Nas redes sociais, os integrantes da entidade publicaram vídeos e fotos com mensagens de incentivo e apoio à participação das mulheres no esporte e na fisioterapia esportiva.

“Vejo esses movimentos de forma positiva. As faculdades estão ensinando isso, e os homens estão do nosso lado para reduzir o mito de que esporte não é lugar de mulher”, explica a fisioterapeuta Natália Bittencourt. Ela é a única mulher brasileira a integrar a Comissão Científica do Comitê Olímpico Internacional (COI).

Crescimento de mulheres no esporte 

Entidades como o COI e a Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) também já se posicionaram sobre o assunto, sugerindo a criação de estratégias para incentivar os recursos e a participação de mulheres no esporte. Agora, algumas organizações estão colocando isso em prática.

O Minas Tênis Clube (MTC), em Belo Horizonte (MG), dá exemplo quando o assunto é inclusão de gênero. Considerado um dos maiores e mais antigos clubes esportivos do país, o MTC conta com um time misto de fisioterapeutas, formado por cinco homens e cinco mulheres. Elas também estão nas posições de chefia, ainda que em menor número: 30% das mulheres ocupam cargos de gerência na agremiação. Os números ainda não são ideais, mas evidenciam o apoio do clube à participação feminina.

Há um consenso de que ainda há muito a se fazer. E o trabalho é maior em modalidades fechadas, como o futebol. As seleções femininas sofrem com a falta de dinheiro e de estrutura, apesar de contarem com expoentes da categoria, como a brasileira Marta, eleita pela sexta vez, em 2018, a melhor jogadora do mundo pela Fifa.

“O mercado está mais aberto, mas o futebol ainda é um ambiente em que a atuação das mulheres se torna um pouco mais complicada”, explica a Natália, que também trabalha no Minas Tênis Clube e é professora no Centro Universitário Uni BH.

A solução para equilibrar essa conta passa por mais incentivo e investimento ao esporte para meninas e meninos desde a infância. Isso ajudaria a consolidar a participação das mulheres nos esportes. “Estamos progredindo gradativamente. Aos poucos, vamos ter mais referências femininas na área e isso contribui muito para que novas fisioterapeutas queiram entrar”, diz Amanda, do COB.

 

Fonte: Secad