4 modelos de gestão de negócios para bandas de Rock

As bandas se tornaram negócios, mas negócios operam cada vez mais como um banda, com empresas buscando cada vez mais a interação entre funcionários para um melhor resultado criativo.

4 modelos de gestão de negócios para bandas de Rock
Foto: Ken Regan

Esqueça a ideia romântica da banda de rock que cria e cresce por amor a música e tudo que gira em torno dela. Ela pode até ter nascido com este intuito, mas conforme um grupo cresce e ganha notoriedade, maior fica sua estrutura e cobranças, e no final das contas, o sonho juvenil de viver de música ganha contornos e organização de uma empresa.

As bandas se tornaram negócios, mas negócios operam cada vez mais como um banda, com empresas buscando cada vez mais a interação entre funcionários para um melhor resultado criativo. O glamour do rock já está chegando ao ambiente de negócios, onde fundadores de projetos revolucionários se tornam pessoas públicas a mercê da admiração do povo.

Assim como uma banda, se os co-fundadores de uma startup não conseguirem trabalhar juntos, chances grandes do projeto não ir para frente. Um estudo da Harvard Business School mostrou que 65% das startups falham por “conflito entre co-fundadores”. Na linguagem do mundo da música, vaidade criativa.

A The Economist foi mais longe na comparação entre bandas de rock e negócios. A revista analisou alguns casos do mundo da música e trouxe 4 modelos de gestão de negócios de sucesso para gerenciamento de uma empresa (ou banda de rock).

 

1. Gestão Amiga

Juntar amigos, criar uma banda de sucesso e viajar o mundo com sua música não é um conceito necessariamente novo. Os desbravadores da ideia foram os Beatles, que nos anos 60 criaram o conceito de uma banda “sem líderes”. Apesar de John Lennon e Paul McCartney escreverem e cantarem grande parte das músicas, os quatros podiam e de fato contribuíam para o trabalho da banda, ao ponto que em 1969, McCartney declarou que os quatro eram “na verdade, a mesma pessoa”.

A mistura de amizade e trabalho já foi objeto de diversas pesquisas, quase todas apontando os benefícios deste tipo de parceria. Trabalhar com amigos torna o ambiente mais leve e prazeroso, além de deixar o funcionário mais aberto a críticas. Porém, a carga emocional do emprego é maior. Dessa maneira, a relação de trabalho-amizade pode ser extremamente satisfatória quando os negócios estão indo bem, mas se tornar infernal na menor das adversidades. A trajetória dos Beatles é um ótimo exemplo disso, com crescimento meteórico e um fim após apenas 7 anos de trabalho de estúdio.

 

 

2. Gestão autocrática

Formanda em 1976, a banda Tom Petty and the Heartbreakers se mudou para Los Angeles em busca de sucesso. Dois anos depois, a banda já havia lançado dois discos. Diferente do que o nome do grupo sugeria, todos ali recebiam de maneira igual, mesmo que Petty fosse o líder criativo e face da banda. Porém, a chegada de um novo gerente e uma conversa com Petty mudou a relação entre os membros. Veterano da indústria, Elliot Roberts começou a gerir o grupo e sua primeira decisão foi uma conversa com seu líder, onde explicou os porquês da atual divisão de dinheiro e funções não funcionar, e que no longo prazo Petty iria se sentir usado pelo resto da banda.

A partir daquele momento, Tom Petty se tornou verdadeiramente o “dono” da banda, medida que causou fúria dos outros membros. Mais de 40 anos depois da mudança, o Tom Petty and the Heartbreakers continua unido e realizando shows, enquanto tantas outras bandas padeceram em vaidades. Muitas vezes, é preciso de um líder que defina sem rodeios a direção a tomar. Em tempos onde estruturas horizontais estão na moda, os métodos antigos podem se mostrar mais longevos.

 

 

3. Gestão democrática

O R.E.M foi formado na cidade de Athens, no estado americano da Georgia. Por uma ironia do destino, o agente da banda Bertis Downs definia o processo de escolha e decisão do grupo como uma “democracia ateniense”. Assim como o modelo clássico de democracia da antiga pólis, todos no grupo tinham a mesma voz, e todas as decisões precisavam ser consensuais. O mesmo valia para decisões de cunho econômico, com os membros recebendo a mesma porcentagem de royalties das músicas, independente de quem a escreveu.

O caso porém, é raro no mundo da música por uma simples razão: ego. Em ambientes compartilhados, é comum que membros do grupo acreditem que outros não trabalham tanto ou não são talentosos como os outros, provocando sentimento de injustiça. Para casos de democracia darem certo, é preciso que todos os membros da banda (ou empresa) tenham em mente sempre o bem estar do todo, e que tenham o mesmo objetivo em mente

 

 

4. Gestão amigos/inimigos

Dizer que os Rolling Stones são hoje a maior banda viva e ativa da história não é nenhum exagero. Iniciada na década de 60, os Stones continuam firmes e fortes, realizando shows ao redor do planeta. Ao longo dos anos de carreira aconteceram diversos atritos no grupo, principalmente entre as personalidades antagônicas de Mick Jagger e Charlie Watts. Porém, o sentimento de que sozinhos não conseguiriam realizar o que faziam juntos falou mais alto.  Todos no grupo tem função clara e definida para não sofrer interferência desnecessária.

 

Reprodução: ISTOÉ Dinheiro