A dolorosa entrevista final de Layne Staley, vocalista do Alice In Chains

“Eu sei que estou morrendo”, disse o cantor.

A dolorosa entrevista final de Layne Staley, vocalista do Alice In Chains
Foto: Paul Bergen

O falecido líder do Alice In Chains, Layne Staley, perdeu tragicamente sua luta contra a dependência química no dia 5 de abril de 2002.  Apesar de suas inúmeras tentativas de ficar sóbrio, Staley foi encontrado morto em seu apartamento. Os exames toxicológicos revelaram que sua morte foi resultado de uma overdose acidental.

Em 1996, a vida de Staley virou de cabeça para baixo quando sua ex-noiva, Demri Lara Parrott, faleceu em decorrência de uma overdose. Durante esses anos, Staley tornou-se um recluso e mal saiu de seu apartamento. Sua última aparição pública foi no Halloween de 1998, quando ele compareceu ao show solo de seu colega de banda Jerry Cantrell, em Seattle.

Alguns meses antes de falecer, Layne Staley concedeu uma entrevista à jornalista argentina Adriana Rubio. O cantor estava ciente de que ia morrer e aceitou seu destino.

“Eu sei que estou morrendo”, disse Staley. “Não estou bem. Não tente falar sobre isso com minha irmã Liz. Ela saberá mais cedo ou mais tarde. Essa p*rra de uso de drogas é como a insulina que um diabético precisa para sobreviver. Não estou usando drogas para ficar chapado como muita gente pensa. Eu sei que cometi um grande erro quando comecei a usar essa m*rda. É uma coisa muito difícil de explicar". 

“Meu fígado não está funcionando e estou vomitando o tempo todo e c*g*ndo nas calças. A dor é maior do que você pode suportar. É a pior dor do mundo. A abstinência fere o corpo inteiro", explicou Layne. 

“Usei crack e heroína por anos. Nunca quis terminar minha vida dessa maneira. Eu sei que não tenho chance. É tarde demais. Eu nunca quis que (o público) aprovasse essa p*rra de uso de drogas. Não tente entrar em contato com nenhum membro do AIC (Alice in Chains). Eles não são meus amigos", disse Staley.

Ele ainda comentou que, quando tinha cerca de 20 anos, a música tornou-se “sua única obsessão para permanecer vivo”. “Tive a chance de jogar fora toda essa raiva da música para ajudar os outros. Foi terapêutico e funcionou mim por um tempo", explicou o cantor.

Staley disse que investiu muito dinheiro em tratamentos para a dependência química. "Eu sei que fiz o meu melhor ou o que achei que seria certo. Eu mudei meu número. Eu não quero mais ver as pessoas e isso não é da conta de ninguém”, concluiu.

A entrevista completa de Layne Staley pode ser encontrada no livro Layne Staley: Angry Chair, lançado pela jornalista Adriana Rubio em 2003. A publicação também apresenta declarações de familiares e amigos do cantor.