Resenha: Angra - Ømni

Deve-se muito ao Angra o respeito internacional pelo metal brasileiro e Ømni explica o porquê desse respeito

Resenha: Angra - Ømni

O Angra manteve uma presença sólida e constante no mundo do metal por muitos anos, sendo equiparada principalmente pela imprensa estrangeira a elite do gênero, (no caso do Prog, ao Dream Theather). Como essa é a elite da elite, deixamos para o nosso leitor e fã de #rockdverdade o verdadeiro debate.

O guitarrista/tecladista Kiko Loueiro, não conscientemente, trouxe ao Angra algumas atenções atrasadas ao entrar em hiato para participar do Megadeth no álbum Dystopia. O saudoso André Matos ficou pendurado no Avantasia, enquanto seu substituto, Fabio Lione estava na linha de frente do Rhapsody of Fire antes de vir para Angra. O substituto do Kiko, Marcelo Barbosa, ganhou espaço e mostra a que veio em Ømni, nono álbum lançado em fevereiro de 2018.

A abertura de grande álbum pertence a Light of Transcendence, que soa e se move insanamente, mas em vez de transmitir algo totalmente esmagador, mesmo com tantas partes se movendo em velocidade absurda — incluindo suas sinfônicas em ascensão — há um tremendo equilíbrio para tudo isso. Light of Transcendence vai muito além do som pesado. 

Travelers of Time é um prog brilhante com um dos refrões mais sedutores que grudará em você por muito tempo.

Bruno Valverde é o destaque de Black Widow's Web, produzindo um ritmo robusto para essa sonzeira melódica para na sequência trazer um colapso sangrento em que Valverde fica esperando para saltar novamente.

Para Insania, que poderia muito bem ser o título de um número cinematográfico cheio de ação com medidas e pitadas operísticas; o baixista Felipe Andreoli contribui de forma decisiva nesta grande música.

Nesta próxima faixa, podemos afirmar que sempre será lembrada como uma das melhores baladas do Angra: The Bottom of My Soul é sensível e muito agradável. Os violões, a escala de bandolim e os toques orquestrais dão o tom, atingindo um clímax emocional no solo de guitarra. Já li que essa é a Silent Lucidity (Queensryche) do Angra, mas na minha opinião só pode ser comparada em qualidade e criatividade. 

Sempre depois da calmaria, vem a tempestade, ou é o contrário... enfim, War Horns é mais um exemplo de como os talentos do Angra são enormes. Uma faixa para headbanguear a vontade!! Não bastasse toda carga de adrelina injetada em suas veias desde o início, ainda tem um ótimo refrão. Nesta faixa fica compreensível as comparações ao Dream Theather. Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa realmente elevam a barra nesta faixa.

Nesta próxima faixa, que é carregada com uma percussão tribal durante a introdução, batida nas alturas e elas só crescem no decorrer de Caveman; dispara através de um redemoinho de thrash entre as progressões sinuosas da canção. E aqui acabam quaisquer dúvidas com relação a qualidade de Fabio Lione, que trabalha através da complexidade proposta pela banda como se estivesse aqui há muito tempo com seus companheiros. 

Apesar de todas as complexidades, há uma sensibilidade convencional por trás da teatralidade ofegante para a composição, ditto para a balada de amor suave e texturizada "Always More",tornando-a totalmente gratificante. ,mas ANGRA conseguiu um sucessor impressionante de próxima geração aqui.

Estamos chegando ao fim com Magic MirrorAlways More, Silence Inside e Infinite Nothing. Todas elas são recheados com todas as nunces que devem constar em músicas de prog, mas a banda traz suas raízes à frente aqui, particularmente nas pinçadas no flamenco de Silence Inside. Infinite Nothing é sem dúvida uma obra-prima sinfônica, trazendo a lembrança maravilhas como Days of the Future Past, do Moody Blues.

E como sempre, convido o(a) amigo(a) (você que chegou até aqui na resenha) a conhecer esse excelente álbum que engrandece o que é feito nesse grande celeiro musical, nosso Brasil (sem ufanismos).

TRACKLIST:

01. Light of Transcendence
02. Travelers of Time
03. Black Window´s Web
04. Insania
05. The Bottom of My Soul
06. War Horns
07. Caveman
08. Magic Mirror
09. Always More
10. Ømni – Silence Inside
11. Ømni – Infinite Nothing

FORMAÇÃO:

Fábio Lione – Vocal
Rafael Bittencourt – Guitarra
Felipe Andreoli – Baixo
Marcelo Barbosa – Guitarra
Bruno Valverde – Bateria

Por: Paulo Souza