Dodge Charger: história e detalhes do brasileiro (e o americano)

Dodge Charger foi sensação no Brasil dos anos 70

Dodge Charger: história e detalhes do brasileiro (e o americano)

Emblemático, o Dodge Charger foi sensação no Brasil dos anos 70, mesmo em meio a duas crises do petróleo. Fabricado pela Chrysler do Brasil desde 1971, o cupê americano se tornou um dos automóveis mais desejados do mercado brasileiro naquela época, exibindo estilo, conforto, força e desempenho.

Seu enorme motor V8 5.2 ou 318 (polegadas cúbicas), o Charger chegou em duas versões, sendo uma bem famosa até os dias atuais, a R/T ou Road & Track.

Embalado pela fama de filmes como Bullit, por exemplo, o grandalhão da Dodge foi uma das últimas tentativas de americanizar o mercado do Brasil, notadamente de influência europeia (alemã e italiana, especialmente).

Junto ao Dodge Dart, o Charger dominou completamente o segmento de luxo no Brasil, não deixando espaço nem para os conterrâneos, como os Ford Galaxie e Ford Maverick. O cupê esporte da marca americana foi fabricado em São Bernardo do Campo até o fim dos anos 70.

Nos EUA, o Charger surgiu mais cedo, em 1966, tendo atravessado oito gerações em seus 55 anos de vida.

Ainda produzido por lá, o modelo passou de um elegante e atraente cupê para um carro bem de “tiozão” no início dos anos 80, depois convertendo-se esportivo novamente e até virar um sedã musculoso nas duas últimas gerações.

Com uma década de idade na geração atual, o modelo deverá receber daqui a dois anos, uma mudança radical que o eletrificará finalmente, garantindo assim sua sobrevivência na nova era dos carros elétricos.


Embora tenha recusado o Brasil na segunda metade dos anos 50, a Chrysler finalmente veio por força da obrigação, dado haver adquirido a francesa Simca em 1963 e teve de fazer o mesmo com a divisão da empresa no país, mas em 1966.

O projeto contemplou a produção de picapes e caminhões leves da série D, onde estreara um motor V8 318, que um dia seria do Dodge Charger.

Com estes veículos sendo feitos em Santo André, na antiga International Harvester, a Chrysler se concentrou na fábrica da Simca em São Bernardo do Campo, onde continuou a fazer os modelos desta até 1970.

Nesse ano, a empresa americana iniciou a produção do Dart, que enterrou os velhos modelos franceses.

O cupê americano já surgiu como uma opção de entrada na versão Standard e com quatro portas, incorporando o motor V8 5.2 (318) da picape D-100 e do caminhão D-400. Este tinha 198 cavalos e dava um bom desempenho ao carro, apesar de seu câmbio de três marchas na alavanca.

Em 1971, surgiu o Dart cupê, mas simplificado em relação ao Standard quatro portas para ser barato.

Deve-se lembrar que em 1971, a Chrysler ainda não tinha o Polara. Logo depois do Dart cupê, a Dodge apresentava o Charger, um modelo com base no Dart, mas muito mais refinado, luxuoso e potente.

Chegava em duas versões, sendo uma de entrada com 205 cavalos e a topo de linha R/T, que entregava 215 cavalos.

Carro mais potente do Brasil, o Charger R/T tinha ar-condicionado, direção hidráulica, freios a disco dianteiros, transmissão manual de quatro marchas no assoalho ou automática de três velocidades.

Com visual bem diferenciado, o modelo se destacava no cenário nacional, mesmo com a versão LS de entrada, denominação usada a seguir.

Tal como em 1972, o Charger recebeu atualização visual em 1974, mas também melhorias no acabamento e uma tecnologia para reduzir o consumo de combustível em plena Crise do Petróleo. Em 1975, a Dodge introduzia uma campanha de troca de peças grátis até 12.000 km ou seis meses, mesmo já tendo garantia de dois anos ou 36.000 km.

Mais modificações foram feitas no Charger, que em 1976 perdeu a versão LS, mantendo-se a popular R/T. Modificações no 318 resultaram em redução de potência para 205 cavalos, de modo a usar a gasolina comum.

Nesse mesmo ano, a Chrysler participava no desenvolvimento do motor a álcool e converteu o 318, mas para o Dart e um protótipo de ônibus.

No ano de 1978, o Dodge Charger recebeu ajustes no carburador para reduzir o consumo de combustível. Mais alterações estéticas foram feitas e na linha 79, o modelo recebeu a companhia do cupê Magnum ao lado do Dart.

Os sedãs Le Baron e Dart fechavam a gama dos grandalhões da Chrysler, que havia modificado frente e traseira de todos, ampliando o porte dos carros.

Nessa altura, o Charger perdeu importância para o Magnum, simplificando seu visual e a posição de destaque como o topo de linha. Ainda assim, foi o primeiro carro nacional com rodas de magnésio e na linha 80, ganhou uma nova caixa automática, já no período VW, que adquiriu a Chrysler do Brasil no início de 1979.

Em julho de 1981, a produção do Dodge Charger R/T e dos demais automóveis, bem como os caminhões da Chrysler, encerrou-se no ABC paulista.

O cupê icônico da marca americana, abandonou as linhas que fariam caminhões Volkswagen nos 15 anos seguintes, inicialmente até usando o V8 318 a álcool em seus primeiros modelos. O bólido nunca mais voltou ao Brasil, diferente da marca.

O Dodge Charger teve duas versões no Brasil, chegando com uma de acesso, batizada de LS e a topo de linha R/T, com proposta esportiva. Esta última era o destaque com grade cromada sobre os faróis e faróis de milha, esses amarelos.

Com para-choques cromados, o cupê tinha teto e colunas em vinil preto, além de pneus com banda de cor laranja, diferente da LS, que era branca.

Com calotas exclusivas, trazia ainda bancos individuais em couro, câmbio com alavanca no assoalho, acabamento de luxo com detalhes em laranja na R/T e branco no Charger de acesso. A cor amarelo-boreal era o destaque do modelo 71. No 72, friso cromado foi adicionado no entorno das grades dessas versões.

Em 73, recebeu faróis duplos e grade quadriculada em duas partes.

O capô recebeu falsas entradas de ar no Charger 1973, porém, as travas da tampa sumiram. Ainda assim, o cupê adicionou controle interno do retrovisor esquerdo, lampejador do farol, luzes de emergência, painel em alumínio escovado e as novas lanternas empregadas no Dart.

Em plena Crise do Petróleo, o Charger 74 chegou com o Fuel Pacer System, que consistia em um alerta visual na luz guia de direção exterior, quando era detectado consumo excessivo, indicando ao motorista para levantar o pé do pedal.

Ele teve faixas laterais que voltaram aos para-lamas traseiros, tal como entradas de ar falsas redesenhadas e portas pintadas de preto com friso cromado.

No modelo 75, o Dodge Charger recebeu novas faixas e frisos laterais reposicionados, lanternas traseiras remodeladas em baixo-relevo, tampa do porta-malas com molduras modificadas e painel de instrumentos modernizado.

Em 1976, a versão LS sai de linha e no ano seguinte, o motor recebeu modificação para reduzir o consumo, além de mudanças nos frisos e detalhes externos.

Já na linha 78, o cupê muscle passou a ter teto de vinil em quatro cores, que combinam com frisos externos e costuras internas. Também incluiu faixas adesivas laterais, mas perdeu as entradas de ar falsas.

Acompanhando mudanças de perfil nos EUA, o Charger (e todos os outros modelos) ganharam frente alongada e traseira inclinada, crescendo 18 cm no processo e perdendo a identidade.

Passando a ser um carro de luxo, perdeu elementos esportivos e itens como pneus radiais, conta-giros e volante especial. O motivo? Um carro chamado Dodge Magnum.

O novo modelo colocou o Charger R/T como intermediário na linha 80, onde foi simplificado pela VW e teve apenas 19 exemplares feitos. O fim em meados de 1981…

O Dodge Charger surgiu nos EUA em 1966 como um carro compacto que custava pouco e tinha motores V8 essencialmente. Ele surgiu para entrar num nicho entre Mustang e Thunderbird, atravessando sete gerações, sendo as três primeiras mantendo sua essência esportiva, inclusive com o icônico Charger Daytona, que alcançava 322 km/h.

A quarta geração ficou mais elegante e voltada para clientes de maior faixa etária, perdendo a identidade. Na quinta geração, a Chrysler reviveu o Charger, mas como um cupê esportivo com visual aerodinâmico.

Após quase 20 anos de ausência, o nome ressurgiu em um sedã V8 em 2006 e que evoluiu para a sétima geração, a atual em produção há dez anos.

Parte da família muscle da Stellantis, o Dodge Charger é um dos últimos puristas do mercado americano, junto ao Challenger e ao Durango, empregando motores HEMI V8 5.7, 6.4 e o insano Hellcat 6.2 Supercharger.

O futuro do modelo será a base STLA Premium com muita eletrificação.

A primeira geração surgiu em 1966 como um fastback de largas colunas C de linhas onduladas e elegantes. Com frente escurecida e dotada de faróis ocultos, bem como lanterna traseira única com o nome do Dodge Charger cromado sobre a superfície.

Era tão estiloso que seu painel azulado parecia ter iluminação em LED, numa época que isso era ficção científica.

Embora aqui o 318 tenha sido o V8 de sempre, ele era apenas o menor nos EUA, com o Charger tendo nessa geração os Big Blocks 361 (5.9), 383 (6.3), 426 (7.0) e 440 (7.2), mas era o 426 Street Hemi que tinha 430 cavalos. Tinha quatro marchas ou automático de 3, inclusive a Torqueflite.

A geração seguinte foi a que veio ao Brasil, tendo já a icônica versão R/T. Mas, a sensação foi o Charger Daytona, que tinha frente aerodinâmica e asa traseira enorme, tendo os V8 390 Hemi e 426 Magnum, tendo 390 e 425 cavalos, respectivamente.

O segundo Charger ganhou um seis em linha 3.7, que provavelmente foi cogitado ao Brasil durante a Crise do Petróleo.

O Charger dessa geração ficou famoso na série de TV “The Dukes of Hazzard”, no Brasil “Os Gatões”. Esse modelo foi feito de 1968 a 1970, quanto surgiu a terceira geração, não vendida aqui.

Tinha carrocerias Hardtop e Coupe, com visual bem diferente entre elas, empregando frente com molduras duplas cromadas envolvendo os quatro faróis. A versão GTO foi emblemática.

Em 1975, a quarta geração do Dodge Charger virou um cupê de luxo, tendo ainda carroceria hardtop, mas totalmente distante dos modelos anteriores, que eram essencialmente joviais e atraentes, incorporando um estilo visto no Chrysler Cordoba e com direito a bancos acolchoados.

A oferta de motores foi reduzida para os motores 318, 360 e 400, este último com 6.6 litros.

No ano de 1982, a Chrysler dá uma guinada na vida do Dodge Charger, quatro anos depois do fim da geração anterior. De um carro de duas portas com chassi de longarinas para um monobloco compacto hjatchback com motor e câmbio em transversal, o modelo passou do vinho para a água (nessa ordem mesmo) em pouco tempo, surpreendendo muita gente.

Tendo tração dianteira, motores pequenos e um estilo que lembrava rivais como Mustang e Camaro dos anos 80, o Charger pulou para a plataforma L e foi um carro comospolita.

Seu menor motor era um 1.6 litro da Peugeot, enquanto seu câmbio manual de quatro marchas era da VW. Teve ainda um 1.7 da alemã, mas seu principal motor foi um 2.2 aspirado e turbo, chegando a 180 cavalos.

As versões Shelby e GLHS são as mais destacadas desse estranho Charger. Este modelo ficou em produção por cinco anos durante a década de 80. Seu fim em 1987 colocou o nome deste Dodge no limbo por 19 anos, até que em 2006, a DaimlerChrysler decidiu reviver o famoso nome, mas agora a bordo de um sedã musculoso, baseado no Chrysler 300M e Dodge Intrepid.

Com tração traseira, o Dodge Charger de sexta geração surgiu com um V6 2.7 de 180 cavalos, seguido de um V6 3.5 com 250 cavalos. A sensação, contudo, era o Hemi 5.7 V8 de 343 cavalos, que depois passou a ter 375 cavalos.

O sedã muscle adicionou ainda a versão SRT8 com um V8 Hemi 6.1 de 430 cavalos. O câmbio era manual de 5 marchas ou automático de 4 marchas.

Em 2011, a Fiat Chrysler lançou a sétima geração do Dodge Charger, conhecida como LD, que se mantém até hoje. Inicialmente muito parecido com o modelo anterior, o sedã muscle resgatou versões clássicas além da R/T, como Super Bee, Daytona e ostentando a SRT8, com um novo V8 Hemi Apache 6.4 com 475 cavalos e depois 490 cavalos. Ficou “futurista” no último facelift.

Contudo, a mais insana é a SRT8 Hellcat com o V8 6.2 Supercharger de 717 cavalos, que permite ao Dodge Charger “desaparecer” sob uma coluna de fumaça de pneu durante a condução, tamanha sua força avassaladora.

Mantém ainda uma versão Pursuit para os departamentos de polícia dos EUA e de outros países, como os Carabineros de Chile, por exemplo.