Nem todo mundo sabe, mas Eddie Van Halen teve de travar uma batalha enorme contra o racismo desde muito jovem.

Uma nova reportagem da NBC News relembrou essa situação vivida pelo lendário músico que, infelizmente, nos deixou aos 65 anos vítima de um câncer na garganta há exatamente uma semana, em 6 de Outubro de 2020.

Filho de um pai holandês (Jan) com uma mãe indonésia (Eugenia), Eddie — e consequentemente seu irmão e baterista Alex Van Halen — lidaram desde cedo com o estigma de serem filhos de um casal de raça mista nos Anos 50.

A matéria destaca uma entrevista do ex-colega de banda David Lee Roth em 2019 ao podcast WTF with Marc Maron em que o vocalista explica que os irmãos cresceram em um “ambiente horrivelmente racista”:

 

“Era uma grande questão. Esses meus chapas cresceram em um ambiente horrivelmente racista ao ponto de que eles tiveram que realmente deixar o país. Aí eles vieram para os EUA e não falavam inglês como primeira língua nos Anos 60. Uau. Então esse tipo de faísca, esse tipo de coisa, isso é profundo.”

 

Como Roth mencionou, Eddie e sua família (em especial sua mãe) eram tratados como “cidadãos de segunda classe” na Holanda, país em que os garotos nasceram. Pouco depois da Segunda Guerra Mundial, veio a mudança para os EUA e com ela novos estigmas preconceituosos, também como David mencionou.

Em entrevista à jornalista Denise Quan para o Museu Nacional de História Americana em 2017, o próprio Eddie falou sobre essa situação e como foi a chegada da família no país norte-americano em 1962 depois de uma viagem de nove dias em um barco.

Segundo o lendário e já saudoso músico, os Van Halen começaram a trajetória na América em uma casa dividida com outras duas famílias; sua mãe trabalhava como empregada doméstica e seu pai era um zelador enquanto tentava seguir seu sonho de viver da música.

Falando sobre seu primeiro dia no colégio nos EUA, Eddie explicou:

 

“Nós já passamos por isso na Holanda, sabe, primeiro dia, primeira série. Agora, você está em outro país totalmente diferente onde você não sabe falar a língua, e você não sabe absolutamente nada sobre qualquer coisa e foi mais do que assustador. Eu nem sei como explicar mas eu acho que nos fez ser mais fortes porque você tinha que ser.”

 

Mesmo sendo branco, o guitarrista explicou que era tratado como parte das minorias no colégio por não conseguir falar inglês e sofria bullying de seus colegas brancos, enquanto as crianças negras o ajudavam:

 

“Meus primeiros amigos nos EUA foram negros. Eram na verdade as pessoas brancas que eram os valentões. Eles rasgavam meu dever de casa e minhas tarefas, me faziam comer areia do playground, todas essas coisas, e as crianças negras me defendiam.”

 

Você pode ver essa entrevista na íntegra ao final da matéria;

 

POR: FELIPE ERNANI

FONTE: TENHO MAIS DISCOS QUE AMIGOS (TMDQA)