Marcelo Bonfá desabafa sobre briga com o filho de Renato Russo na Justiça

'A Legião Urbana não é um livro de poesias na estante, não é uma banda de um homem só e todo o seu valor foi construído pelo grupo', disse o músico.

Marcelo Bonfá desabafa sobre briga com o filho de Renato Russo na Justiça
Imagem: Reprodução/Facebook

Marcelo Bonfá, baterista e um dos fundadores do Legião Urbana, publicou um desabafo em suas redes sociais sobre a briga na justiça com Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo. Guilherme Coelho, advogado do herdero do músico, disse em entrevista para a Veja que “seria uma fraude para os fãs um show da Legião sem Renato Russo”.

"A Legião era formada por Renato, Dado e Marcelo. Sem um deles, a banda não existe mais. Uma banda que não se apresenta com Renato Russo não é a Legião Urbana. Essa é a posição da empresa e do controlador dela. Não se pode dizer: 'Essa é a Legião Urbana' ou que a banda ainda está se apresentando, porque isso seria uma fraude com os fãs. Renato deixou por escrito que, sem ele ou sem qualquer um dos outros dois, a banda não existiria", disse o advogado. 

Bonfá rebateu a fala do advogado, afirmando que ele e Dado Villa-Lobos não pretendem retornar com a banda. "Fizemos uma tour comemorativa de 30 anos de nosso primeiro álbum intitulado Legião Urbana, tocando na íntegra o nosso repertório deste disco. Disco inclusive que foi usado pela banda em 1987 para registrar o nome no INPI na defensiva de outro oportunista antes de nós”.

"Giuliano quer o resultado financeiro desta tour e de outra tour entitulada “Dado e Bonfa tocam "Dois" e "Que país é esse", alegando supostamente que estes nomes são dele também. Em todos os dois casos não há alusão nenhuma à um retorno da banda e as “marcas” usadas é como citação indissociável às nossas vidas, pessoas e legados indiscutivelmente construído por nós", escreveu Bonfá. 

“A Legião Urbana antes de mais nada é um grupo musical de músicos e compositores que têm contratos assinados numa gravadora como um grupo musical e o disco intitulado Legião Urbana é direito autoral nosso, já que se refere à composições nossas e tem a nossa imagem estampada na capa, imagem que carrega nossa postura ética ligada ao trabalho do grupo inclusive nas letras criadas sempre na maioria das vezes sobre as bases instrumentais tecidas por nós”, explicou o músico.

Bonfá acrescentou: "A Legião Urbana não é um livro de poesias na estante, não é uma banda de um homem só e todo o seu valor foi construído pelo grupo e que hoje em razão deste valor é pleiteado como ‘marca’ de forma monopolista pela empresa Legião Urbana produções. Sendo que dela quer se beneficiar de nossa imagem e obra e patrimônio imaterial. As empresas constituídas nunca tiveram outra finalidade a não ser lidar com a situação contábil ligada aos resultados originados pelo trabalho do grupo”.

“Giuliano e seus advogados dizem que Dado e Bonfá induziram ao erro as pessoas que estavam indo a um show da Legião Urbana e se deparam com Dado e Bonfá e banda. O nome da tour é claro. ‘Dado Villa Lobos e Marcelo Bonfá TOCAM Legião Urbana’. Basta saber ler e discernir. No entanto o que o houve na verdade é que 400.000 pessoas que nos viram juntos nos palcos, após 20 anos que estávamos separados, evocaram a Legião Urbana”, concluiu. 

Nas próximas semanas, a 4ª turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça) retomará o julgamento do uso da marca Legião Urbana. A disputa judicial envolve os ex-integrantes, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, contra a empresa Legião Urbana Produções, herdada por Giuliano Manfredini. Os músicos e o herdeiro discutem quem, de fato, é o proprietário do nome.