Resenha: Volbeat - Servant Of The Mind

Oitavo álbum de estúdio da banda é uma verdadeira Babilônia de estilos

Resenha: Volbeat - Servant Of The Mind

O Volbeat é uma banda dinamarquesa de rock formada em Copenhague em 2001. Os caras tem na veia um mix de rock and roll, heavy metal, power metal e uma pitada de rockabilly. Sua formação atual é composta pelo vocalista e guitarrista Michael Poulsen, o guitarrista Rob Caggiano, o baterista Jon Larsen e o baixista Kaspar Boye Larsen.

A banda assinou contrato com a gravadora holandesa Mascot Records e lançou sete álbuns de estúdio e um DVD. Todos os seus álbuns de estúdio foram certificados de ouro na Dinamarca. Seu segundo álbum Rock the Rebel/Metal the Devil recebeu status de platina, e seu lançamento em 2010 Beyond Hell/Above Heaven foi alvo de grande aclamação da crítica internacional, recebendo platina dupla na Dinamarca, platina na Finlândia e Alemanha, e ouro nos Estados Unidos, Suécia e Áustria. 

Há apenas 16 anos, essa pequena banda da Dinamarca chamou a atenção com seu álbum de estreia The Strength / The Sound / The Songs. E o que aconteceu nesses 16 anos? O Volbeat tornou-se uma das maiores bandas de rock da atualidade. Hoje eles são os headliners dos grandes festivais e enchem as grandes salas de concertos.

No entanto, esse desenvolvimento gigantesco em termos de popularidade obviamente também tem seu preço, porque o Volbeat se tornou cada vez mais mainstream nos últimos álbuns. Muitos sentiram a falta de riffs mais fortes, substituidos por refrões mais melódicos, adequados para o rádio. Claro, todas as bandas são livres para se desenvolverem como quiserem. Mas todo ouvinte é livre para decidir se gosta ou não do desenvolvimento.

As audições dos álbuns Rewind, Replay, Rebound e Seal The Deal & Let's Boogie não são tão empolgantes e por essa razão imaginava-se que Servant Of The Mind, oitavo álbum de estúdio dos Dinamarqueses, seguisse a mesma linha, apenas razoável.

Então foi liberado o single Shotgun Blues. Riff's trucidantes, soando como as grandes bandas de trhash metal, exterminando suposições de que novamente as guitarras não teriam protagonismo. O vocalista Michael Poulsen tende a cantar mais como nos últimos álbuns, principalmente nos refrões, de forma melódico e mais suave, mas não há como não ficar empolgado com os riffs de guitarra que novamente estão em todos os lugares; e aí você se vê querendo cantar junto!

Mas e o quem vem depois? Mantém o que o single promete?

Vamos lá. Temple Of Ekur abre o disco com um mix de heavy metal tradicional e hard rock, sem o mesmo peso do single e o vocal de Michael mais "comportado". O mesmo se aplica à Wait A Minute My Girl, que chama a atenção com uma sonoridade a lá Green Day, cantada "lá em cima" e com uma pegada alegre, com cara de FM.

Se visitamos o punk rock na faixa anterior, a música seguinte, The Sacred Stones, trás a tona um momento Slayer, sendo impossível não lembrar dos californianos reis do thrash metal. E mais uma vez é de se lamentar que nos álbuns imediatamente anteriores as guitarras não sejam tão pujantes como nesse. Como já falamos de Shotgun Blues, vamos em frente. 

The Devil Rages On realmente sabe como agradar, exala uma atmosfera de rock'n'roll agradável e Michael soa muito parecido com Elvis no início. Say No More e Heaven's Descent voltam e deixam o álbum mais metálico novamente. 

Com Michael tendo os reforços do cantor Stine Bramsen para Dagen Før, temos uma balada adequada para rádio aqui. Em The Passenger temos mais um grande riff e também um grande solo.

Step Into Light tem quase cinco minutos. E é o destaque negativo do álbum. Tediosa e não vale esse tempo. E aí chega na sequência Becoming. Não, o estúdio não errou e colocou uma música do In Flames por engano no álbum!! O primeiro minuto da faixa é puro death metal!! Percebe-se nitidamente como os caras conseguem trazer dos mais diversos estilos elementos para formar o som do Volbeat! Uma boa mistura de velho e novo, muito metal e rock de rádio melódico. Um outro exemplo dessa mistura temos também no final, com quase oito minutos Lasse's Birgitta, que tem belos riffs e boas melodias.

Através dessa mistura de estilos, a banda consegue deixar os fãs antigos e novos novamente ouriçados, imaginando o que reserva o futuro em termos de sonoridade. Em Servant Of The Mind há algo para cada fã dos dinamarqueses e com exceção de um ou outro momento, você não deve precisar pular as faixas não importa qual fase da banda você prefira. 

Servant of the Mind Track Listing:

1. Temple of Ekur
2. Wait A Minute My Girl
3. The Sacred Stones
4. Shotgun Blues
5. The Devil Rages On
6. Say No More
7. Heaven’s Descent
8. Dagen Før (feat. Stine Bramsen)
9. The Passenger
10. Step Into Light
11. Becoming
12. Mindlock
13. Lasse’s Birgitta

Na edição especial ainda temos:
14. Return To None (Wolfbrigade cover)
15. Domino (The Cramps/Roy Orbison cover)
16. Shotgun Blues (feat. Dave Matrise from Jungle Rot)
17. Dagen Før (Michael Vox Version)
18. Don’t Tread on Me

Por: Paulo Souza